| Monocultura do eucalipto causa danos ao extremo sul da Bahia |
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por Adital.com.br*
A entidade denuncia que diversas propriedades com plantio de
eucalipto não possuem reserva legal averbada como exige a legislação -
a reserva faz parte das condicionantes no licenciamento de implantação
do projeto. O plantio do eucalipto, que é uma espécie exótica, provoca
a destruição da fauna e da flora nativas. Demanda-se uma grande
quantidade de água tanto para plantar o eucalipto quanto para a
produção de celulose nas fábricas, o que provoca o esgotamento das
fontes de água, sem falar no uso extensivo de agrotóxicos que envenenam
rios, córregos, lençóis freáticos, etc. As empresas negam todos os
efeitos negativos e dizem que plantar eucalipto é muito melhor do que
pastagem.
Com relação aos problemas sociais, a silvicultura do eucalipto está provocando o êxodo rural na região. Num levantamento feito recentemente pelo Cepedes, a cidade de Eunápolis possui o maior índice de êxodo rural dos últimos anos. Segundo as pesquisas, o patamar, que era de 9,92%, pulou para 5,89%, equivalente a 59,37% (o maior índice nacional é de 28%) de pessoas a menos na zona rural, a partir do início dos anos 90, com a chegada da monocultura do eucalipto. Um exemplo dessa situação ocorreu em 1994, durante a instalação da Veracel Celulose no município. A imprensa regional divulgava na época que a Veracel iria gerar cerca de 12 mil empregos, o que provocou uma correria de pessoas de outros municípios e até de outros estados, como Minas Gerais e Espírito Santo, em busca de emprego. Na verdade, foram gerados 11,5 mil empregos no ano de 2004, 80% destes na área de construção das instalações físicas. Atualmente, apenas 739 empregos diretos e 3.150 indiretos são gerados, número bem longe dos 12 mil prometidos. As empresas de eucalipto pagam um alto valor para comprar ou arrendar as terras, acarretando o refúgio de peões de roça, vaqueiros, tropeiros, pequenos agricultores, bandeiradores de cacau e outras categorias. Segundo Ivonete, todas as terras agricultáveis estão nas mãos das empresas de celulose, o que inviabiliza a reforma agrária na região. "Cerca de 12 mil famílias estão acampadas nas estradas do extremo sul esperando a realização de seu sonho, um pedaço de terra para alimentar os seus filhos", destaca. O Cepedes vem desde 1991 documentando todas as ilegalidades das empresas de celulose, denunciando-as aos órgãos competentes e fazendo a divulgação entre os continentes. "A Veracel, por exemplo, possui 863 processos na Justiça do Trabalho contra ela. Neste ano, pedimos ao Governo do Estado a moratória do plantio, visto que o próprio governo admite que não possui estrutura para fiscalizar. As empresas têm conhecimento disto, mas aproveitam a situação para continuar plantando, comprando e arrendando terras", finaliza Ivonete.
*Nota legal: Texto reproducido según las condiciones de ADITAL (www.adital.com.br). No queda sometido al ColorIURIS Azul usado en este portal.
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