| Cronica simposio direitos humanos |
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O simpósio de debates sobre direitos humanos começou com duas palestras sobre a situação das mulheres. A primeira, do prof. Dionisio Fernández de Gatta Sánchez, tratou do tema no âmbito do ordenamento jurídico europeu, ao passo que a professora Ángela Figueruelo Burrieza analisou o ordenamento espanhol. Foi interessante ver a mudança no que é juridicamente admitido. O prof. Dionisio levou um contrato de trabalho para professoras do ano de 1923. Há muitas cláusulas hoje consideradas inadmissíveis, mas que naquela época eram válidas, como por exemplo: o contrato era anulado se a professora se casava; ela deveria estar em casa entre as 8 horas da noite e as 6 da manhã; era-lhe proibido beber e fumar. Para o palestrante, o tema dos direitos das mulheres se encaixa como uma luva no ordenamento europeu, que se rege, dentre outros, pelo princípio de competência de atribuições (é dizer, a União Européia faz o previsto em tratados). Assim, apenas na década de 1990 o tema passou a figurar como um objetivo, através das políticas comunitárias. Anteriormente, foi apenas uma aproximação ao tema. Foi interessante o debate em torno do uso da mulher na publicidade, com especial atenção aos anúncios que oferecem serviços sexuais. Segundo a professora Ângela, a lei orgânica espanhola de igualdade proíbe a publicidade discriminatória e sexista. A palestrante também destacou, dentre outros tópicos, a importância do movimento feminista a partir da década de 1970 e a criação do Instituto da Mulher, na década seguinte. Por fim, o professor Alfredo Pérez Alencart apresentou uma coletânea de poetas que defenderam os direitos humanos em seus versos. Foi importante observar como poetas de diversas nacionalidades e de diferentes épocas trataram o tema. Desde os “Estatutos do Homem”, do amazonense Thiago de Mello, até ao cubano José Martí, para quem a poesia é mais necessária do que a indústria, passando por Pedro Casaldágila (“la vida es inmediata”), Blas de Otero (“pido la paz y la palabra”), Gabriel Celaya (“la poeíia es um arma cargada de futuro”), sem esquecer de clássicos como Terencio (“hombre soy, y nada de lo que es humano me es ajeno”) e o grego Calímaco, (¿quién eres, naufrago extranjero?), fazendo referência à imigração africana nas costas espanholas. Por fim, o rei Davi, “mientras callé, envejecieron mis huesos”.
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